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O Factor Magalhães

A realização de uma Grande Conferência Internacional sobre Educação no Porto associada à avaliação dos impactos conseguidos com a utilização do Computador Magalhães, produzido em Matosinhos, constituiu um passo marcante na afirmação por parte do Governo Português duma Aposta Estratégica na Educação como o grande “driver” de mudança colectiva da Sociedade e recentragem no Valor e Competitividade como Factores de Distinção na Economia Global. Há assim uma nova Rota para o Magalhães, numa viagem que não pode ser perdida. E o Norte mais uma vez deu uma lição de aposta na Inovação como solução para o futuro.

Há dez anos a Irlanda e a Finlândia, cada qual na sua identidade operacional, colhiam os primeiros resultados duma “Aposta Estratégica Transversal da Sociedade” para os paradigmas da Educação, Inovação e Conhecimento. Não basta – e nem é, aliás, a opção mais adequada – reiterar estes exemplos , e fazer dum exercício administrativo de benchmarketização do sucesso destes casos a mais natural matriz de opção estratégica para o nosso país. Realidades diferentes, com actores e envolventes diferentes, implicam naturalmente lógicas de actuação diferentes e no nosso caso isso é mais do que óbvio. Contudo, no grande jogo da competição global, a aposta tem que se central na qualificação dos Talentos.

A Educação tem que ser a grande “ideia” para a Região. Na “Escola Nova” de que a Região precisa, tem que se ser capaz de dotar as “novas gerações” com os instrumentos de qualificação estratégica do futuro. Aliar ao domínio por excelência da Tecnologia e das Línguas a Capacidade de com Criatividade e Qualificação conseguir continuar a manter uma “linha comportamental de justiça social e ética moral” como bem expressou recentemente Ralph Darhendorf em Oxford. Tem que se ser capaz de desde o início incutir nos jovens uma capacidade endógena de “reacção empreendedora” perante os desafios de mudança suscitados pela “sociedade em rede”. Precisamos de uma Região Norte voltada para o futuro.

Os instrumentos de modernidade protagonizados pelas TIC são essenciais para se desenvolverem mecanismos autosustentados de adaptação permanente às diferentes solicitações que a globalização das ideias e dos negócios impõe. Esta nova dimensão da educação configura desta forma uma abordagem proactiva da sociedade abordar a sua própria evolução de sustentabilidade estratégica. Os “Centros de Competência” do da Região (Empresas, Universidades, Centros de I&D) têm que ser “orientados” para o valor. O seu objectivo tem que ser o de induzir de forma efectiva a criação, produção e sobretudo comercialização nos circuitos internacionais de produtos e serviços com “valor” acrescentado susceptíveis de endogeneizar “massa crítica” na Região.

A “Cooperação” estratégica entre a Escola, o Meio social, áreas de conhecimento, campos de tecnologia, não pode parar. Vivemos a era da Cooperação em Competição e os alicerces da “vantagem competitiva” passam por este caminho. Sob pena de se alienar o “capital intelectual” de construção social de valor de que tanto nos fala Anthony Giddens neste tempo de (re)construção. Na economia global das nações, os “actores do conhecimento” têm que internalizar e desenvolver de forma efectiva práticas de articulação operativa permanente, sob pena de verem desagregada qualquer possibilidade concreta e efectiva de inserção nas redes onde se desenrolam os projectos de cariz estratégico estruturante.

O papel das Novas Gerações é decisivo. São cada vez mais necessários “actores do conhecimento” capazes de induzir dinâmicas de diferenciação qualitativa nos territórios. Capazes de conciliar uma necessária boa coordenação das opções centrais com as capacidades de criatividade local. Capazes de dar sentido à “vantagem competitiva” da Região, numa sociedade que se pretende em rede. Por isso, têm que entrar nesta Viagem do Magalhães, em que a Rota do Futuro não pode passar ao lado.

Jaime Quesado

sobre o autor

Francisco Jaime Quesado é Gestor do Programa Operacional Sociedade do Conhecimento.

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